Assassinatos de travestis e transexuais cresceram 50% no Brasil em 2020, diz Rede Trans

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Manifestação na Praia de Copacabana lembra as vítimas da transfobia no Brasil em 2017. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Hoje, 29 de janeiro, é Dia da Visibilidade Trans. A data representa um marco histórico da luta de travestis e transexuais pela garantia de direitos e reconhecimento na sociedade. No entanto, mostrando que a batalha por cidadania é ainda gigantesca, dados do movimento social LGBTI+ assinalam que a violência letal contra esta população é crescente, a ponto de ser classificada como uma outra epidemia – a do ódio – que vem dizimando aqueles e aquelas que ousaram subverter a cis-heronormatividade.

Entre os levantamentos que são publicados hoje, está o dossiê produzido pela Rede Nacional de Pessoas Trans do Brasil (Rede Trans), que mostra que, em 2020, foram registradas 184 mortes de pessoas trans, um aumento de 50,82%, em relação ao ano de 2019, que teve 122 casos. De acordo com a entidade, que registra anualmente os casos de violência letal contra travestis e mulheres transexuais no Brasil, o Estado de São Paulo chama atenção pelo aumento das mortes, com mais de 25% em relação ao ano anterior.

No documento “Transfobia: A Pandemia que o Brasil Ainda Não Extinguiu e o Isolamento Social que Conhecemos – Monitoramento: Assassinatos, Suicídios e Mortes Brutais de Pessoas Trans no Brasil”, que será lançado logo mais às 14 horas, em transmissão ao vivo, no site redetransbrasil.org.br e na página facebook.com/redtransbrasil, é registrada também a gravidade das ocorrências: mais de 80% apresentaram requintes de crueldade. A pesquisa informa que os assassinatos ocorrem após uma sucessão de atos de extrema violência, com tiros e facadas como as causas principais dos homicídios.

A Rede Trans explica que a primeira edição do dossiê foi publicada em 2016, para servir de ferramenta de alerta para as pessoas trans e chamar a atenção da sociedade em geral para essa realidade cruel, que deve ser enfrentada por todos e todas. “O genocídio da nossa população é brutal, criamos o Dia Nacional da Visibilidade Trans, em 2004, para denunciar essa brutalidade, que hoje, apesar dos avanços no Judiciário, os casos de mortes e violência são com mais requintes de crueldade”, relatou Tathiane Araújo, presidenta da Rede Trans Brasil, e segue: “A sociedade deve entender que vidas trans importam” concluiu a ativista.

O gênero da morte

A pesquisa ressalta que no ano de 2020 todos os casos de assassinatos documentados foram de travestis e mulheres transexuais – ou seja, todas que performam o feminino. Foram 162 pessoas.

Já quando observado o dado geral das mores, nota-se que o grupo mais atingido foi o das travestis, com 96 mortes. Outros 50 óbitos foram de mulheres transexuais.

Nordeste lidera os casos

Quando observados por região, os dados mostram que a maioria das mortes aconteceram no Nordeste, com 42% dos registros. Depois, aparecem o Sudeste (33%), o Sul (9%), e o Centro-Oeste e o Nortes, ambos com 8%.

Ceará segundo estado mais letal

Soraya Oliveira foi uma das mulheres trans mortas no Ceará em 2020. Foto: Reprodução/Facebook

E, como previsto pelo recorrente número de assassinatos, o Ceará aparece como o segundo estado brasileiro mais letal para as pessoas trans. Sozinho, acumula 22 mortes. Está atrás somente de São Paulo, como destacado acima, e na frente de Minas Gerais e Bahia, com respectivamente 17 e 16 óbitos cada.

Local dos homicídios

Outra informação que chama atenção no dossiê é que trata dos locais dos homicídios. Os assassinatos acontecem principalmente nas vias públicas, com 58,33% dos casos, seguida pela residência da própria vítima (18,05% dos casos) e os hotéis ou motéis (4,86) – em muitas situações os locais de trabalho das vítimas.

Saiba mais

O documento completo, em português, inglês e espanhol, estará disponível ao longo do dia no site redetransbrasil.org.br.

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