Ato em memória de Keron Ravach reúne manifestantes em Camocim

Adolescente trans foi brutalmente espancada até a morte no interior do Ceará

753
Foto: Carlos Filho
Por Carlos Filho

Familiares, amigos e ativistas da causa LGBTQIA+ reuniram-se na tarde da segunda-feira (11) na cidade de Camocim, região Norte do Estado, para prestar homenagem e pedir justiça pela morte da adolescente trans Keron Ravach, de apenas 13 anos, assassinada a socos, chutes, pauladas e facadas.

Organizado pela ONG Mães Pela Diversidade, formada por mães e pais de pessoas LGBTQIA+ presente em 23 estados do Brasil, o manifesto percorreu as ruas da cidade com o intuito de chamar a atenção da população e das autoridades responsáveis para mais um crime de transfobia no município cearense, o primeiro registrado em 2021.

Foto: Carlos Filho

Com placas, faixas, bandeiras e gritos de “Keron presente”, os manifestantes partiram da Avenida Beira Mar em direção à Delegacia Municipal, finalizando a caminhada em frente à Prefeitura, em um ato que também contou com a participação do Instituto Arte de Viver, que atua em defesa dos direitos humanos na cidade, da Coordenadoria LGBTQIA+ do município, do Conselho Cearense dos Direitos da Mulher – CCDM e da União Nacional LGBT (UNA).

O crime

Foto: Camocim Polícia 24h

Cidade transfóbica

Fonte: Bruna Benevides (Antra) | Arte: Fernando Bertolo

Keron presente

Ponto de vista

CARLOS FILHO, jornalista

A morte de Keron não indica apenas uma triste estatística para o município de Camocim, ela também denuncia a falta de políticas públicas voltadas à prevenção e preservação de vidas LGBTQIA+ em todo o território camocinense. Um dado negativo que só demonstra a omissão do poder público diante de tantas mortes violentas, evidenciando a vulnerabilidade e a invisibilidade da comunidade transexual de forma estrutural, um recorte social revoltante da desvalorização da vida, do sucateamento dos órgãos que deveriam agir ao invés de fechar as portas, como aconteceu quando o manifesto chegou em frente ao prédio da Prefeitura. Falta diálogo, falta planejamento, falta entendimento de causa, falta tudo, falta a Keron. Quantos mais de nós terão que morrer até que o poder público entenda seu papel de agente emancipador, educativo e de proteção? Parem de nos matar, parem de ser coniventes.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here