Bifobia, racismo e exclusão levam Lucas a desistir do BBB 21

Primeiro beijo homoafetivo do Big Brother Brasil é acompanhado pelo desfecho do ciclo de humilhação que levou o jovem ator ao extremo

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Foto: Reprodução/Globo

Começamos esse texto com uma das opiniões mais contundentes lidas no Twitter na manhã de hoje (07/02): “Só esse elenco mesmo pra achar que no Brasil do Bolsonaro um cara preto militante secundarista vai beijar uma poc nordestina pra se promover! Tenha santa paciência, cara! Na moral”, disse o perfil @rafaelmartins98.

Enquanto parte de nós dormia, os usuários da rede social citada faziam a “cobertura” de mais uma noite de festas no “BBB 21”, quando Lucas Penteado beijou Gilberto – no que parecia ser um desejo dos dois – e foi acusado de ficar com o colega para ganhar destaque no jogo e formar casal.

Na madrugada deste domingo (7), ao exercer plenamente seu direito à afetividade, Lucas acabou tendo a sua bissexualidade questionada. Isso foi o estopim para o jovem ator desistir do programa e deixar a casa. Na nossa avaliação, foi o ódio que jogou o garoto para fora.

Tudo aconteceu após pedir um conselho a Lumena e ganhar como resposta: “Você não é especial”. Conforme destacou o professor Cláudio Rodrigues, que levantou o currículo acadêmicos dos participantes, Lumena é mestra em psicologia social, estudando feminismo negro, o problema de uma história só, sexualidades, gênero, direitos humanos e interseccionalidade.

Dessa forma, é escandaloso que ela, ao invés acolher e escutar, faça exatamente o contrário e parta para a crítica feroz e o julgamento mais rasteiro e reacionário possível, sendo altamente bifóbica. Mas Lumena não foi a única, boa parte da casa questionou se Gilberto teria se sentido “usado”, o que ele negou de imediato.

A tortura psicológica não começou naquela noite. Lucas, como lembrou o colunista Fefito, foi constantemente isolado pelos colegas de confinamento, silenciado, xingado e expulso da mesa por Karol Conka sem direito a dividir refeição. Nego Di, então seu melhor amigo, o acusou de defender vagabundo, por participar de manifestações estudantis e defender a vereadora assassinada Marielle Franco. De Pocah ouviu que ele lhe metia medo. Até então seu ídolo, Projota tratou de armar um plano para eliminá-lo. A humilhação seguida certamente levou o rapaz ao extremo.

É fato que o participante tenha sido protagonista de conflitos com Kerline e, posteriormente, brigou com parte dos colegas numa festa. Porém, o cancelamento sem precedentes na história do BBB certamente tem grande dose de racismo, preconceito de classe e, agora, de LGBTfobia.

Mas o elenco do reality show não é o único responsável por essa situação. Assistindo a tudo sem intervir está a direção do programa e própria TV Globo, que deveria ter agido para conter o estrago emocional e o bullying pesado – situações, até onde sabemos, sem precedentes.

Longe de assumir qualquer responsabilidade, a emissora ainda acusou a vítima: após a saída de Lucas, o diretor Boninho disse, em áudios vazados no pay-per-view, que Lucas teria escondido “problemas com bebida” durante o processo de seleção. Noutro momento, como nada tivesse acontecido, o executivo mandava a galera seguir o jogo, pois “todos tinham chance de ganhar”.

Nos resta agora pensar na saúde emocional e física de Lucas. E, se há algo a ser cancelado neste momento, é o Big Brother Brasil, que distribui racismo, sexismo, LGBTfobia e ódio para o país que já sangra com a pandemia e o pandemônio. Chega de BBB!

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