Dia da Memória Trans: Relembramos as 151 pessoas trans mortas no Brasil neste ano

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Foto: Gay Times

Hoje, 20 de Novembro, é Dia Internacional da Memória Trans. Data em que é importante lembrar os membros da comunidade que tragicamente perderam suas vidas nas mãos da intolerância, do ódio, do preconceito, vítimas de uma sociedade profundamente sexista, misógina, brutal, genocida, concentradora de renda e de propriedade.

A escalada brutal contra transgêneros e travestis, no Brasil da necropolítica, chegou, nos dez primeiros meses de 2020, a 151 assassinatos de pessoas trans. De acordo com a Associacão Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), houve um aumento de 47% em relação ao mesmo período do ano passado. São também 22% mais assassinatos que em 2019 inteiro, quando foram registrados 124 assassinatos.

No país que dita como algumas pessoas podem viver e como outras devem morrer, até o dia 31 de outubro deste ano, todas as 151 pessoas assassinadas expressavam o gênero feminino, sejam travestis ou mulheres trans.

“Nos chamando atenção para recorrentes casos onde o ódio a identidade de gênero se faz presente, nos trazendo reflexões sobre o gênero como fator relacionado a essa violência”, destaca a Antra.

Organizações internacionais também denunciam a negação do direito à vida de pessoas trans no país. O “Observatório de Pessoas Trans Assassinadas Globalmente”, da ONG Transgender Europe, concluiu que o Brasil segue na liderança como nação que mais assassina transexuais em todo o mundo, mantendo a posição pelo 12º ano consecutivo, desde que o projeto iniciou a pesquisa em 2008.

Mas esses são apenas os assassinatos que foram documentados. É provável que haja muito mais assassinatos não documentados de indivíduos trans.

Ceará é o segundo estado que mais mata pessoas trans

Os cinco estados com mais mortes de pessoas trans entre 1 de janeiro e 31 de outubro de 2020 são: em 1º está SP com 21 assassinatos, o Ceará que estava em terceiro no último boletim subiu para a 2ª posição com 19 casos, BA e MG em 3º e 4º respectivamente com 17 assassinatos cada e em 5º vemos RJ com 9 casos.

Entre 1 de janeiro e 31 de outubro, em SP foram encontrados 19 casos em 2019, contra 21 no mesmo período de 2020 (+17% de aumento); no Ceará aumento de 11 assassinatos em 2019 para 19 casos em 2020 (+73% de aumento); MG foi de 4 para 17 casos (+325% de aumento). Já a BA foi de 5 para 17 assassinatos (+240% de aumento), e o RJ de 6 para 9 casos de assassinatos (+50% de aumento).

“É importante ressaltar que a soma dos casos desses 5 estados representa 55% de todos os assassinatos em 2020 e que somente nos dez primeiros meses, esses estados apresentaram mais casos que o ano passado inteiro em cada um deles”, concluiu a Antra, em documento sobre o genocídio trans.

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